DC
A depender de mim, os psicanalistas estão fritos. Eu mesmo é que resolvo os meus conflitos, com aspirina, amor ou com cachaça. Os gritos todos virarão fumaça. A dor é coisa que dói e que passa. Curar feridas só o tempo há de...

Hoje está fazendo exatamente um ano que você se foi. 
Um ano que se passou tão depressa que eu mal consigo analisar. 
Parece que foi ontem que você saiu por aquela porta.
Dor não sinto mais.
As vezes bate uma saudade, uma vontade de estar por perto.
Mas logo passa.
Ontem eu parei pra pensar em tudo que aconteceu, e sabe a verdade?
Não demos certo porque você não quis.
É isso mesmo, você que não quis.
Pois quando há amor de verdade, as pessoas ficam juntas, mesmo estando machucadas, mesmo não se aguentando mais.
Elas dão um jeito.
Afinal, é muito mais dolorido ficar longe da pessoa que se ama.
Falo isso pois vejo um relacionamento de uma amiga minha, sempre tão conturbado, cheio de brigas, vai e voltas, totalmente abusivo e difícil. E mesmo assim, elas não conseguem se separar pois se amam.
Sofrem com a ausência.
Chora, dói.
E logo em seguida voltam atrás.
Sabe por quê?
Porque o amor é maior que o orgulho, é maior que tudo.
Logo, concluo que você não me amava de verdade, tendo em vista que desistiu de mim e tudo que tínhamos perante as adversidades, da forma mais banal e triste possível.
Com um discurso mais babaca já contado na história da humanidade, assim você partiu.
E eu te amei, te amei da forma mais bonita possível.
Claro que eu tinha meus defeitos, minhas manias e chatices.
Mas sempre abri mão do meu orgulho, da minha vida por ti.
Não me arrependo.
Foram anos de muito aprendizado.
Se sou o que sou hoje, foi por tudo que passamos.
Posso até dizer que sou grato por isso.
Mas não posso mentir que fiquei com uma mágoa muito grande de ti pelo fato de não ter sido sincero comigo com relação aos seus sentimentos e suas vontades.
Mas tudo bem também, esse foi mais um aprendizado pra mim. 
Hoje um ano depois que tudo acabou nossas vidas mudaram completamente, não nos falamos mais, não nos vemos mais e mal sabemos um da vida do outro. 
Isso foi bom.
Me ajudou a me recompor, colocar minha cabeça no lugar e superar.
Seguir em frente, como você dizia. 
Minha vida está finalmente encaminhando.
Tenho ótimos planos para o futuro os quais mal posso esperar pra coloca-los em prática. 
Estou finalmente vivendo de novo, sentindo a vida, me entregando, sendo feliz. 
Acho que você também. 
Isso significa que esse término foi mais do que bom pra nós dois. 
Então, muito obrigado por partir, por quebrar meu coração e me deixar em pedaços. 
O tempo cuidou direitinho de mim e hoje estou inteiro novamente cheio de histórias para contar, experiências para viver e pessoas para amar.
Ah, e bem, beeeeeem longe de você! 
Esse é último texto que escrevo pra você. 
Sei que não vai ler, mas caso um dia tenha interesse, ele estará aqui, fechando esse tumblr com chave de ouro!
Sashay, away! 
Onde está Deus que não o vejo? Suas palavras me encontram, mas não me tocam, é possível que todo o sentimentalismo que tais palavras carregam, não consiga ultrapassar o coração de pedra que eu mesmo esculpi. Falam-de de um Deus capaz de curar feridas, mas eu não o vejo, eu não o sinto… Como posso pedir que estanque os estigmas de minha alma? É sedutora demais a ideia de um ser superior capaz de mudar vidas, minha fragilidade pouco a pouco clama pelo socorro desse autor onipotente capaz das mais insólitas peripécias. Mas, onde está Deus que não o vejo? Por onde Ele anda que não posso senti-lo? Alguém precisa segurar minha mão neste momento, mas os amigos se foram, os amores morreram e nada me parece mais atraente do que a ideia de um Deus que pode me guiar por estar veredas escuras, onde já sinto o cheiro iminente de uma morte patética. Certa vez, um velho me disse que existe no homem um vazio do tamanho de Deus, e hoje, no ápice de minha lucidez, trocando carícias com o desconhecido, digo: “Existe no homem um vazio que clama por Deus”. Sinto-me confuso, por um instante parece-me que estou certo do que quero, porém, no instante seguinte a razão tenta esmagar esta pequena semente de fé, que valentemente luta contra a racionalidade de um homem desacreditado. Onde está Deus? Onde está que não o vejo vindo em meu socorro? Onde estão as poderosas mãos capazes de enxugar minhas lágrimas? Pode ser que seja fraqueza, tolice ou mera ilusão, mas a vida precisa de sentido e o sentido que atribuímos a ela não precisa fazer sentido para os outros. Onde está Ele? Estou cansado e sobrecarregado, mas não sei onde Ele está, não tenho forças para buscá-lo. Logo perderei a consciência e, é possível que ao acordar julgue ignóbil tudo que escrevo agora, mas neste momento, embriagado de dor e delirante de angústia, só tenho uma única pergunta: Onde está Deus?
Gabriel Vargas
E mais uma vez, eu abri uma página sua de uma rede social e fiquei olhando sua foto. Como eu já sorri olhando pra quilo, você não tem ideia. Mas das ultimas vezes, infelizmente não era sorrindo que eu olhava, era com desanimo, com saudade e mágoa misturadas. Porque você tinha que morrer? Porque você tinha que matar tudo que eu sentia? Me obrigar a morrer também. Me obrigar a fingir estar viva pra todo mundo. Me obrigar a não chorar, quando tive vontade de chorar. Vontade de te esmurrar, te dizer que você é um idiota, um babaca, um cretino, um fraco, nunca passou disso. Nunca uma piada sua foi engraçada, nunca você me surpreendeu. Nunca. Mas eu não consigo deixar de pensar em você, a cada dia, a cada ato meu. E quando eu procuro outras pessoas, eu procuro imaginando você me vendo. E tendo ódio de mim. Porque eu quero que sinta ódio. Porque ódio significa alguma coisa, e é melhor que indiferença. Você que já foi tudo, já foi minha esperança, foi meu futuro imaginado, hoje não é nada. Não passa de uma foto numa rede social. Se eu vivo bem sem você, porque eu continuo te olhando? Porque eu sempre volto aqui? Porque eu ouço musicas que falam de tristeza? Por quê? Você não vale isso. Mas eu faço. Eu continuo fazendo. Como uma cerimônia de luto, eu sigo a risca. Mas acontece que você não morreu de verdade, do jeito que eu preferia que morresse. Você está ai vivo, vivendo sua vida, fazendo suas coisas, feliz, tranqüilo, sem sentir minha falta, sem olhar minha foto em rede social. Porque eu não consigo? Porque você não podia ser alguém? Eu esperei muito de você? Não. Eu não esperei nada, eu entendi tudo, eu entendia o que ninguém entenderia. Eu respeitei. Eu fiz como você quis. Tudo. Eu me anulei. Eu deixei de me amar, pra todo meu amor ser só seu. Eu voltei atrás. Eu chorei, eu pedi desculpas, eu agüentei besteiras. Agüentei tudo. Ajuntando do chão, migalhas do seu carinho, migalhas do seu amor. Do seu jeito explosivo e calmo. Um dia me amando como se a terra fosse acabar depois da meia noite. No outro dia um desconhecido me pedindo pra tratá-lo como qualquer um, por favor. Você é meu personagem favorito. O dono de todos os meus textos, de todas as minhas histórias. O dono da curvinha das minhas costas. E eu tenho que dizer isso agora, só pra uma foto numa rede social. Porque você morreu na minha vida. Você pediu demissão, seu cargo era o de presidente, era membro honorário do conselho, tinha tapete vermelho e eu me vestiria até de secretária se te agradasse. E você pediu demissão, sem aviso prévio nem nada. Me diz agora? Como viver bem? Como sobreviver, sem essa ponta de angustia? Eu sou feliz, cara. Eu sou feliz demais. Mas eu sou infeliz demais, quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo. Porque a vontade de te ressuscitar as vezes, me domina.
A sua foto. Tati Bernardi
A minha determinação sempre me permite chegar onde eu quero. Estou sempre muito preocupado com a minha situação financeira, busco segurança neste setor da vida, mesmo sendo alguém que vive em busca de prazeres. Sou dono de uma memória falha, mas tenho hábitos enraizados como o de dividir minhas experiências com alguém, especialmente com quem amo. Posso demorar a aprender as coisas, mas depois que aprendo nunca mais esqueço o que torna minhas lições muito profundas. Possuo um lado vingativo e corro certo risco de me tronar teimoso ou ciumento demais. Sou visto como liberal e simpático, sou prestativo e não gosto de causar transtornos em meus relacionamentos sejam pessoais ou profissionais. Evito os cargos de liderança, e não busco de ser centro das atenções. Preocupo-me em como sou visto pelos outros, fator que pode prejudicar meu rendimento. Porém minha diplomacia faz com que consiga um bom entendimento entre os diversos grupos em que me relaciono. A minha capacidade e vontade em cooperar sempre são apreciadas pelos meus colegas. Discreto, prefiro ambientes tranquilos para trabalhar. Sempre que coloco de lado a insegurança faço com que as pessoas confiem mais em minhas habilidades. Esta mesma insegurança é o que faz com que hesite sempre quando me encontrar entre duas escolhas. Sempre em busca do saber e da verdade, sou alguém cujas coisas do espirito e do “eu” interior fazem muita importância na vida, por isso sou estudioso, gosto de filosofia e matemática. Estudo para provar e obter respostas sobre o desconhecido. Por ser um tanto solitário as pessoas me consideram distante e estranho, mas é difícil não notar minha presença, pois possuo um áurea astral inigualável. Procuro viver de acordo com minhas experiências e descobertas e não conforme padrões pré-estabelecidos. Não me atraio por agito e nem modismo, considero isso como coisas descartáveis. Prefiro atividades que não envolvam esforço físico, ou mesmo com máquinas. Estou sempre em busca da sabedoria e do conhecimento. Sou muito organizado, intuitivo, inspirador e retraído. Sonho em usar a mente, ser intelectual, científico ou educador. Por não conseguir isolar-me sem sentir solidão sinto-me constantemente melancólico e tenho certa tendência à depressão. Não me sinto bem em locais agitados, nem gosto de trabalhos servis e de confusão. Gosto de ajudar e servir à humanidade. Busco ser conhecido como alguém generoso. Gentil e disposto a doar e ensinar sem pagas ou retribuições. Sou capaz de dividir o que tenho, mesmo que seja pouco, pois tenho amor à universalidade. Uma grande virtude é o meu perdão e como percebo as necessidades alheias. Minha casa e meu coração estão sempre abertos para acolher qualquer um que precise desde comida a um ombro amigo.
Sou um ser feito de barro, apenas. 
neologismo:
“““Só se ama uma vez na vida”. Lembro claramente de ter lido isso em algum lugar, logo depois de ouvir de você – não te amo mais. E, confesso, aquilo não só me abalou as estruturas, como me fez desabar. Primeiro em lágrimas, depois as...

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

Carlos Drummond de Andrade
Olhe para mim, o que você vê? Além desses olhos pequenos e marejados e desse corpo frágil e cansado; O que você vê? Além dessa boca que sussurra quase calada o que é necessário dizer e desse sentimentalismo barato que eu sempre hei de ter; O que você consegue ver? Está aí o problema, você não consegue ver, meu passado que está impregnado nas memórias, você não vê as tantas histórias que estão escondidas dentro de mim, não consegue ver o meu orgulho ferido que sangra com qualquer cutucada, nem essa ingenuidade que faz com que eu “quebre a cara”. Você não consegue ver que além desses olhos, há um mundo completamente desconhecido, que dentro desse corpo há uma alma e nem as palavras que essa boca guarda. Muitos olham, mas são poucos que vêem.
Desvende… M.Lavynia. 
A verdade é que eu sou desastrada demais. Sou desastrada a ponto de me machucar com qualquer coisa. Quebro copos e pratos lavando a louça, bato o meu dedinho do pé no canto do sofá, tropeço nos meus próprios pés e de vez em quando eu me machuco com a coisa mais banal e inimaginável. Erro diariamente e sou a pessoa mais errada e torta que um dia alguém pode conhecer. Sou a pessoa mais irrelevante e, de vez em quando, mais grossa possível. Sou fria, e a maioria das vezes, sou um amor de pessoa. Sou um amor, e mesmo não querendo ser enjoativa, eu sou. Gosto de coisas a moda antiga e adoro receber cartas. Cartas de um amor, amigos, da minha avó, do meu pai, da minha mãe. Gosto de coisas antigas. Discos, caixinha de músicas e essas porcarias que hoje não se vende mais. Sou irritante, e algumas vezes sou suportavelmente idiota. Posso ser desastrada, e quebrar algo de primeira. Já perdi coisas no ônibus, na rua, no cinema, na casa de alguém e já deixei cair um celular que nem era meu. Me machuco atoa e sou uma pessoa consideravelmente delicada. Sou frágil, mas isso não impede minha ignorância. Sou desastrada e por mais que seja torta e insuportável, sou legal. Sei dar conselhos e por mais que isso soe como insanidade, sou uma ótima companhia. Sei fazer os outros darem longas gargalhadas e gosto de pessoas assim, constantes. Sei dizer coisas lindas, a ponto de fazer alguém chorar. Sei “dar um tapa na cara” e mostrar a realidade. Sei ser inconveniente e o que eu mais queria é que alguém me fitasse e dissesse: “Ei, sente aí. Não precisa ser tão escandalosa e a mostra assim. Te fito, e não gosto disso.” Eu queria é que alguém botasse jeito em mim, e que me mostrasse algo melhor. Não somente os meus desastres. Sou uma pessoa extremamente a moda antiga, e por mais que eu seja doce o suficiente para te deixar com vontade de vomitar, sou rude às vezes. Eu, que sempre quis morrer de amor, passo aos outros a maneira mais feliz e única de viver feliz. Sozinho. A verdade é que o meu desastre precisa ser corrigido. Não por minha mãe ou por um livro de auto-ajuda. É alguém em especial. Na verdade, eu nem consigo mais desejar um amor. Hoje em dia só desejo não bater com o meu dedinho no canto do sofá.
Alugue Felicidade. 
“O que você espera do seu futuro?” Li em um outdoor de universidade enquanto procurava uma cafeteria aberta as quatro da manhã. A solidão tem gosto de café. Quem foi o desajustado que escreveu isso? Em um outdoor do tamanho da minha sala de estar? O que eu espero? Amigo eu não espero nada, não se pode “esperar” nada, nunca, de ninguém. Você não lê jornais ou televisões? Todo dia alguém ganha na loteria, ou descobre petróleo no quintal de casa, ou encontra o amor de uma vida inteira na fila do pão. O que eu espero? Eu espero ter apenas saúde pra levantar de manhã e paciência pra aguentar tanta gente da classe de pessoas que dizem “bom-dia-florrrr” às seis da manhã. Sem essa de pular onda, comer uva, usar branco em virada de ano, cruzar os dedos, usar verde. Que o ano, o mês, os novos dias não me tragam nada, o que eu quiser eu mesmo vou buscar. No máximo um pai nosso numa segunda-feira chuvosa. O que vier eu tiro de letra. Não vou tirar o pé do acelerador, e ainda peço pra Deus mandar mais, o que vier eu mato no peito. Imagine só ter medo do futuro? Imagine pedir um príncipe encantado e só me mandarem o cavalo, ou o emprego dos sonhos e me fizerem parar dentro de um mercado de bairro trabalhando de domingo a domingo. Morrer antes de levar o tiro? Se molhar antes de ver a chuva cair? Meu bem, eu sou igual a tomé, só acredito vendo. Eu tenho medo sim, medo de um futuro mais ou menos, de uma vida mais ou menos, de ser mais ou menos, de ser menos. Eu não espero pelo futuro, ninguém espera, porque se ele se atrasar você vai fazer o que? Continuar sentado? Eu não espero, eu não me importo, eu meto a cara na lama, eu sofro, eu choro, eu tomo dorflex porque coração também é um músculo, eu agarro a minha vida pelo rabo, aos 47 do segundo tempo. Eu sangro, mas eu também cicatrizo.
Ciceero M. 
Quando você ler esta carta, terão se passado algumas semanas (mesmo com a sua recém-adquirida capacidade de organização, não acredito que esteja em Paris antes do início de setembro). Espero que o café esteja saboroso e forte, os croissants frescos e o tempo ainda ensolarado o bastante para que você se sente na calçada numa daquelas cadeiras de ferro que nunca estão bem firmes no chão.
O Marquis não é ruim. O filé também é bom, se você quiser voltar no almoço. E se olhar a rua, à esquerda, verá o L’Artisan Parfumeur onde, depois de ler esta carta, você deveria experimentar um perfume que eles chamam de algo como Papillons Extreme (não me lembro direito do nome). Sempre achei que ia ficar ótimo em você. Certo, as recomendações acabaram. Gostaria de dizer algumas coisas e as teria dito pessoalmente, mas: a) você se emocionaria e b) você não me deixaria dizer tudo. Sempre falou demais. Portanto, eis aqui: o cheque que você recebeu de Michael Lawler no envelope anterior não é a quantia total, apenas um pequeno presente para ajudá-la nas primeiras semanas desempregada e para ir a Paris. Quando voltar para a Inglaterra, leve esta carta para Michael, no escritório dele em Londres, e ele vai lhe entregar os documentos necessários para você acessar a conta que foi aberta, a meu pedido, no seu nome. Essa conta tem o suficiente para você comprar um bom lugar para morar, pagar seu curso e as despesas enquanto estiver estudando em tempo integral. Meus pais serão comunicados de tudo. Espero que isso, e os serviços jurídicos de Michael Lawler, garantam que não haverá a menor dificuldade possível. Clark, quase consigo ouvir daqui você hiperventilar. Não entre em pânico, nem tente desistir — isso não é o suficiente para você sentar o seu traseiro pelo resto da vida. Mas pode comprar a sua liberdade, tanto daquela claustrofóbica cidadezinha que nós chamamos de lar quanto das escolhas que você foi obrigada a fazer até agora. Não estou lhe dando dinheiro porque quero que fique saudosa, em dívida em relação a mim ou para que isso seja uma espécie de maldita lembrança. Estou lhe dando isso porque poucas coisas ainda me fazem feliz, e você é uma delas. Sei que me conhecer lhe causou sofrimento e tristeza e espero que um dia, quando estiver menos zangada e chateada comigo, veja não só que eu só podia ter feito o que fiz, mas também que isso lhe ajudará a ter uma vida realmente boa, melhor do que se não tivesse me conhecido. Durante algum tempo, você vai se sentir pouco à vontade em seu novo mundo. É sempre estranho ser arrancada de sua zona de conforto. Mas espero que fique animada também. Sua expressão, quando voltou da aula de mergulho naquele dia, me disse tudo: você tem ambição, Clark. É destemida. Mas escondeu essas qualidades, como quase todo mundo.
Não estou lhe dizendo para saltar de prédios altos, nadar com baleias ou algo assim (embora, no fundo, gostaria que você fizesse essas coisas), mas para viver corajosamente. Ir em frente. Não se acomodar. Usar aquelas meias listradas com orgulho. E se quiser mesmo se acomodar com algum sujeito ridículo, garanta que um pouco de tudo isso fique guardado em algum lugar. Saber que você ainda tem possibilidades é um luxo. Saber que lhe dei algumas me dá certo alívio.
É isso. Você está marcada no meu coração, Clark. Desde o dia em que chegou, com suas roupas ridículas, suas piadas ruins e sua total incapacidade de disfarçar o que sente. Você mudou a minha vida muito mais do que esse dinheiro vai mudar a sua.
Não pense muito em mim. Não quero que você fique toda sentimental.
Apenas viva bem.
Apenas viva.
Com amor, Will.
Como Eu Era Antes de Você 
Uns queriam um emprego melhor; outros, um emprego. Uns queriam uma refeição mais farta; outros, apenas uma refeição. Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver. Uns queriam ter pais mais esclarecidos; outros, apenas ter pais. Uns queriam ter olhos claros; outros, apenas enxergar. Uns queriam ter voz bonita; outros apenas falar. Uns queriam o silêncio; outros, ouvir. Uns queriam um sapato novo; outros, ter pés. Uns queriam um carro; outros, andar. Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.
Chico Xavier.  
Acho que eu simplesmente não entendo. Por que alguém deveria se dar o trabalho de se apegar a alguma coisa se, a) não vai durar para sempre e b) dói demais quando acaba? Se tudo é finito, se tudo tem começo, meio e fim definidos, então por que começar? Qual é a razão, se tudo leva ao fim? E não estou falando de morte, embora seja onde tudo termina, não importa o quanto a gente lute. Estou falando de morte de uma forma mais metafórica. No sentido de que nada dura pra sempre, sabe? Porque é verdade, nada veio pra durar. Nada. Nenhuma coisa. Antes de querer me convencer dessa baboseira de “lado positivo”, cite uma coisa que não termine. Não existe, não é? A não ser que você diga Deus, ou amor universal, ou algo desse tipo, mas não é disso que estou falando. Mas é bom que saibamos que só por que algo acaba não quer dizer que seja ruim ou que alguém esteja fadado a se magoar, ou que nem deveria ter começado, ou o que quer que seja. Por que se cada passo nos leva ao passo seguinte, como chegaríamos a algum lugar, como cresceríamos se evitássemos tudo o que pudesse nos machucar? Então praticamente não temos escolha a não ser continuar, sair por aí e esperar pelo melhor. E, quem sabe, possamos até aprender uma coisa ou outra pelo caminho. Acho que o que estou tentando dizer é que você não pode fugir só porque uma coisa não vai durar. Precisa aguentar firme, deixar rolar. É o único jeito de avançar.
Ergueu.